Quase todo mundo divide o salário pelas horas do contrato e acha que achou. Mas a conta real inclui o trabalho que ninguém paga e quase ninguém conta: a casa, o cuidado, e a cabeça que fica organizando tudo mesmo quando o corpo descansa.
Se você não tem renda fixa, coloque a média dos últimos três meses.
Por semana. Vale contar de verdade, não o quanto você acha que "deveria" levar.
É o tempo em que você não está fazendo, mas está lembrando, planejando e se preocupando: o que falta no mercado, a consulta que precisa marcar, o remédio que vai acabar. Não é descanso, mesmo sentada.
A sua hora vale
R$ 0
Não é pra você cobrar de ninguém. É pra parar de se cobrar.
Quem faz muito trabalho invisível costuma terminar o dia com a sensação de não ter feito nada, porque nada do que fez aparece em algum lugar. Não tem holerite, não tem entrega, não tem chefe elogiando. Aí a pessoa acha que é lenta, ou desorganizada, ou preguiçosa.
O número acima existe pra mostrar que o cansaço tem tamanho. Quando você vê quantas horas realmente saem de você por semana, a exaustão para de parecer defeito de caráter e passa a parecer o que é: consequência de carga.
A hora oficial divide sua renda pelas horas do contrato. A hora real divide a mesma renda por todas as horas que a sua vida consome: trabalho pago, deslocamento, casa, cuidado, recados e carga mental.
O valor do trabalho invisível usa como referência o custo de contratar alguém pra fazer aquilo. Não é um preço que alguém vá te pagar. É a medida do que você já está entregando de graça.
Se o resultado te incomodou, ele fez o trabalho dele. Se quiser um lugar pra respirar depois disso, os apps de movimento e som são gratuitos e existem pra isso.