Ebook da Sustentabilidade
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Cooperativa costuma ser tratada como projeto pequeno e romântico. Existem lugares onde ela responde por um terço da economia, e as razões disso são bem concretas.
A região tem 4,5 milhões de habitantes e mais de 15 mil cooperativas, que empregam perto de meio milhão de pessoas. Dois em cada três moradores são associados a alguma delas, e juntas produzem por volta de 30% do produto da região.
Isso cobre banco, supermercado, construção, saúde, agricultura e serviços. É boa parte da economia da região.
Dois detalhes legais ajudam a explicar. A cooperação está citada na Constituição italiana, o que facilita captar recursos. E existe a Lei Marcora, que permite a um grupo de desempregados antecipar o próprio seguro-desemprego em bloco para abrir uma cooperativa, inclusive para assumir a empresa onde trabalhavam quando ela quebra.
Do lado espanhol dos Pirineus fica o caso mais estudado do mundo. A Corporação Mondragón reúne dezenas de milhares de trabalhadores que são donos do próprio negócio, organizados numa federação com banco próprio, universidade própria e sistema de previdência próprio.
Começou nos anos 1950, com um padre e cinco jovens montando fogareiros numa oficina. Cresceu até virar um dos maiores grupos empresariais da Espanha.
A Espanha também tem o incentivo ao cooperativismo escrito na Constituição, e o país tem cerca de 18 mil cooperativas de trabalho, com aproximadamente 300 mil pessoas empregadas.
A diferença entre os dois modelos vale ser notada. Mondragón construiu uma estrutura grande e integrada. Emilia-Romagna foi pelo caminho oposto, com muitas cooperativas pequenas que se apoiam entre si, compram juntas e se socorrem nas crises.
Aqui a rede existe, funciona e raramente aparece.
Foi o primeiro banco comunitário do país. A ideia partiu de uma constatação simples dos moradores: o dinheiro que entrava no bairro saía dali no mesmo dia, gasto em outro lugar. Criaram uma moeda social própria, o palmas, que só circula na comunidade, e linhas de crédito pequenas para quem nenhum banco atenderia. O modelo foi copiado por dezenas de bairros em todo o Brasil.
É uma cadeia inteira de algodão agroecológico, do plantio à peça pronta, organizada em cooperativas. Reúne cerca de 700 trabalhadores em cinco estados. Quem planta, fia, costura e faz o botão de semente é sócio da mesma marca.
A Coopamare, em São Paulo, é uma das pioneiras. Esse setor faz a maior parte da reciclagem que realmente acontece no país, quase sempre sem aparecer nas estatísticas oficiais das prefeituras. O número de municípios com coleta seletiva saltou de 81, em 1994, para mais de 760, e o trabalho organizado dos catadores é parte grande dessa mudança.
Há uma vantagem prática, além do valor humano da coisa.
Quando a crise chega, uma empresa comum corta gente para proteger o lucro. Uma cooperativa, onde quem trabalha é dono, costuma fazer o contrário: reduz retirada de todo mundo e segura o time inteiro. Isso aparece nos estudos das duas regiões, que atravessaram recessões com menos demissão que a média.
Há também o efeito de ficar. Cooperativa não muda de país atrás de mão de obra barata, porque os donos moram ali. O dinheiro circula mais vezes dentro da mesma comunidade antes de ir embora, que é exatamente o raciocínio que fez o Banco Palmas nascer.
Uma página como esta funciona pela mesma lógica, em escala bem menor.
Quem está começando disputa atenção com o silêncio, antes de disputar com quem já tem público. Aparecer ao lado de outros projetos resolve parte disso sem custar nada a ninguém: a pessoa que chegou por um fica sabendo dos outros.
O que faz uma parceria se sustentar
Reciprocidade real, com as duas partes ganhando algo de tamanho parecido. Clareza sobre o que cada um faz e até onde vai. E público compatível, porque indicar um projeto para quem nunca vai se interessar gasta a confiança de quem indicou.
É o mesmo mecanismo das 15 mil cooperativas italianas que compram juntas: sozinha, cada uma é pequena demais para conseguir preço. Juntas, viram um cliente grande.