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Cultura Brasileira · sala 1

Memes, bordões e ditados

O jeito brasileiro de falar, organizado. De onde veio, o que quer dizer e, principalmente, o que não quer dizer.

Três coisas diferentes

Misturar as três é o erro mais comum, e era o desta página na primeira edição.

Meme
Unidade de cultura que se copia, se adapta e viraliza. Muda de forma e sobrevive por isso. Nazaré confusa.
Bordão
Frase marcante repetida por alguém conhecido até virar de todos. O que o separa do meme é a autoria: se sabe de quem é. Fala comigo, bebê.
Ditado
Sabedoria popular curta, de autoria anônima, passada entre gerações. Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura.

A régua da dose

Vem antes das listas porque é mais importante que elas.

  1. Entender sempre, usar quase nunca. O valor de saber é não responder errado. "Fala comigo, bebê" não é pedido de cantiga de ninar.
  2. Nunca começar. Isso se devolve, não se puxa.
  3. Uma vez, e para. Repetir o mesmo molde na frase seguinte é o que transforma graça em chatice.
  4. Nunca em cima de dor. Desabafo, saúde, luto e medo não levam piada, por mais certinha que ela caiba.
  5. Na dúvida, responde reto. Errar a piada é pior do que não fazer.

De onde vem a palavra "meme"

É mais velha que a internet. Foi criada pelo biólogo evolucionista Richard Dawkins em 1976, no livro O Gene Egoísta, para nomear a unidade de transmissão cultural: uma ideia que se replica de cérebro em cérebro como um gene se replica de corpo em corpo.

O significado não está distante do original. É qualquer coisa que se torna viral. Na introdução original da palavra "meme" no último capítulo de O Gene Egoísta eu usei a metáfora de um vírus. Então, quando alguém diz que algo se tornou viral na internet, isso é exatamente o que um meme é. Richard Dawkins, à revista Wired

Meme nem sempre precisa de texto: às vezes uma expressão de rosto basta. E nem sempre precisa de imagem: uma fala, um trecho de livro ou um bilhete viram meme sozinhos. A marca principal é a capacidade de mudar de forma — um mesmo meme ganha dezenas de versões, e às vezes uma delas fica mais famosa que a original.

No começo da década de 2010 quase tudo nascia no Facebook. Hoje a maioria começa no Twitter e no TikTok. E a data não importa: a Nazaré confusa é de uma novela de 2004 e virou meme quase dez anos depois.

O Brasil é reconhecido lá fora pela produção de memes. Em 2017 a cantora Katy Perry chamou Gretchen para estrelar o lyric video de Swish Swish, justamente pela fama dela na internet mundial.

Sobre este acervo

Meme tem paternidade disputada, data imprecisa e versão que muda de estado para estado. O que está aqui sem origem confirmada está sem origem de propósito: afirmar procedência errada sobre cultura popular é o mesmo defeito que afirmar número errado sobre saúde.

Para quem quiser ir fundo, o estudo sério existe e é brasileiro: o #MUSEUdeMEMES, da Universidade Federal Fluminense, mantido desde 2017 pelo Departamento de Estudos Culturais e Mídia sob coordenação do professor Viktor Chagas, é o maior acervo de memes brasileiros do país.

Segunda edição: 13 de setembro de 2026. Esta sala cresce.